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sábado, 16 de setembro de 2017

Jornalista de todo mundo uni-vos

Carlos William Flores

Os profissionais mais perseguidos em todos os continentes são, sem quaisquer dúvidas, os jornalistas. A informação quando objetiva é a arma mais contundente na denúncia dos tiranetes e dos senhores do mundo. Para os que não aceitam as múltiplas pressões do dia a dia, o assassinato é o aviso final.

Nas Honduras foram assassinados 71 jornalistas desde 2013, e na sequência deste genocídio profissional, Carlos William Flores do Canal 22 de Omos, foi baleado com a sua acompanhante, numa emboscada, ao regressar de uma reportagem para o seu programa “sem cabelos na língua”.

É mais um crime entre muitos, dirão alguns. O que se me torna difícil de aceitar, é que uma classe de tamanha importância na defesa da liberdade individual e coletiva, não se solidarize através das suas associações com estes seus camaradas de profissão. A não ser nas redes sociais, raramente se noticiam estes atentados à liberdade de que muitos falam, mas poucos a defendem.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O jornalismo deixou de existir...

«O jornalismo deixou de existir, o que existe são ativistas políticos submetidos aos interesses do imperialismo. É uma tragédia prenúncio de outras maiores manter e desmobilizar os povos da luta pela paz menosprezar ou criticar os que a defendem. As guerras passadas foram precedidas de intensa propaganda belicista contra alegados agressores.»
(Foicebook)

sábado, 26 de agosto de 2017

Grécia 1967 - Filipe Diniz

Grécia 1967

Há 50 anos um dos jornais do salazarismo dava a seguinte notícia: «Os turistas que desejem visitar a Grécia devem apresentar-se barbeados e não terem cabelos compridos – decidiu o governo grego» (DN, 11.05.1967). O governo grego em causa saíra poucos dias antes do golpe fascista dos coronéis. Acerca do qual um jornal clandestino escrevia: «De novo, como nos anos trágicos do domínio de Karamanlis, milhares de democratas […] foram lançados nas prisões, submetidos a violências inauditas, ameaçados de morte» (Avante! Nº 378, Maio 1967).

Os golpes do passado ajudam a entender os do presente (os realizados ou as tentativas em curso). Na Grécia dos anos 60, como em qualquer outro lugar do mundo nos dias de hoje, a primeira coisa a averiguar será o que fazem os EUA. O que na altura pensavam (D.A. Schmitz, «The United States and Right-Wing Dictatorships, 1965-1989») era que para a Grécia existia um «consenso» que nunca deveria ser rompido: a exclusão dos comunistas; o papel da monarquia; a integração na NATO. Caso tal consenso fosse posto em causa uma das hipóteses a considerar seria a «imposição de um regime autoritário como meio para restaurar a ordem política.» Tal ameaça não vinha só dos comunistas, vinha de Giorgios Papandreou, «um cripto-comunista». Logo nos primeiros meses após o golpe, 6188 comunistas e outros democratas foram detidos ou exilados, 3500 foram presos em centros de tortura. Muitas dezenas de milhares permaneceram longos anos em campos de concentração.

Passado um mês sobre o golpe o presidente Johnson dirigiu-se ao novo governo: «A Grécia é hoje livre e próspera», «os EUA felicitam-se pelo papel assumido em salvar a Grécia da agressão e do totalitarismo.»
50 anos depois, que há de diferente? O Avante! é legal e o DN não falaria só de cabelos compridos: uma parte dos seus colunistas não deixaria de insultar o PCP por condenar essa «salvação da Grécia da agressão e do totalitarismo

Filipe Diniz


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Distorção da realidade

No incessante chorrilho de desinformação e distorção da realidade sobre a Venezuela, amplamente propalada nos meios de comunicação social dominantes, é repisada até à exaustão a enganadora ideia de que o presidente e governo venezuelanos estão a desrespeitar a Constituição venezuelana, sendo a sua salvaguarda apresentada como púdico propósito das ditas «oposição» e «comunidade internacional». Nada mais falso. (ler mais aqui)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

LIVRO OPORTUNO

apresentação do livro pelo autor
A russofobia mantém a mesma intensidade e nível dos anos da guerra-fria. O jornalista suíço Guy Mettan neste seu trabalho, esclarece-nos magistralmente o porquê da russofobia através dos séculos, a importância dos media e ao serviço de quem estão e com que finalidade.

sábado, 22 de julho de 2017

Uma flor entre pedras

Assim se pode dizer da Crónica de António Guerreiro no Público
É preciso queimar os jornalistas?
Por todo o lado, o poder dos media é visto como uma magia negra que transforma a esfera pública num palco histérico e estéril.
António Guerreiro
21 de Julho de 2017
Numa das suas edições da semana passada, o jornal francês Libération ocupou a primeira página com uma questão provocatória, colocada a propósito de um debate sobre o jornalismo que decorreu na cidade de Autun: Faut-il brûler les journalistes?, “é necessário queimar os jornalistas?”. E fazia um diagnóstico da situação, enumerando algumas razões fundamentais que levaram ao descrédito em que caiu uma profissão outrora respeitada, bem patente numa série de neologismos insultuosos que os franceses inventaram para nomear os jornalistas: merdias, journalops, presstiputes. (mais aqui)

terça-feira, 18 de julho de 2017

O preço da liberdade



"O cartunista Osmani Simanca trabalhava no jornal “A Tarde” há já 15 anos e foi demitido. Com mais ou menos agressividade os media apertam o garrote à liberdade de expressão e os profissionais que prezam a dignidade pagam o preço.

Nota de esclarecimento sobre a minha demissão do Jornal “A Tarde”

Serei sempre muito grato pela oportunidade que tive, quando há mais de 15 anos comecei a trabalhar em “A Tarde”, periódico com uma tradição jornalística de mais de 100 anos. Foi sem dúvida uma honra publicar, aprender e aperfeiçoar-me com meus caros colegas e amigos. Durante minha estadia no diário ganhei importantes prêmios nacionais e internacionais e meus desenhos publicados originalmente em “A Tarde” foram, frequentemente, reproduzidos por outros jornais e revistas ao redor do mundo.

Depois da penúltima mudança na direção do jornal comecei a ser questionado sobre o conteúdo das minhas charges, sendo algumas delas censuradas. Estes desenhos proibidos foram reproduzidos com grande sucesso em outras mídias. Havia muito tempo que textos e matérias completas dos meus colegas eram cortados, mas não a charge. A charge era um pequeno oásis num deserto de tesouras.

É difícil ter liberdade sem independência econômica. A maior parte da imprensa sempre dependeu da propaganda dos governos. Isto não seria problema caso estes governantes não pressionassem jornais e jornalistas, e se jornalistas e jornais democráticos não se deixassem pressionar para escrever elogios ou críticas desmerecidas. Nosso rumo deve ser sempre definido pela ética e pela virtude, coisas raras nestes tempos sombrios, cheios de ódio e intolerância. Dizia Joseph Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Com a última mudança na direção do jornal, as pressões aumentaram ao ponto que tive que explicar o que era uma charge, e qual era o papel da sátira política em uma sociedade democrática e na imprensa livre. Fui indagado sobre quem me dava as pautas ao que respondi que as pautas eram os fatos, os quais pesquisava em profundidade, consultando várias fontes e colocando minha opinião na forma do jornalismo gráfico, caracterizado pela charge ou caricatura política. Fui advertido para não mexer em determinados temas e personagens, uma tarefa impossível no meio da putrefação política e ética em que se encontra o Brasil.

Quero agradecer às demonstrações de solidariedade de meus colegas, amigos e leitores por referencia a minha demissão sem justa causa e cuja verdadeira causa, de maneira resumida, expliquei neste texto.

Termino aqui, com este pensamento de Eurípedes:

“Todo o céu é da águia o caminho,
Toda a terra é do homem nobre a pátria”