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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Debates sobre a liberdade de imprensa e comunicação


Debates sobre a liberdade de imprensa e comunicação

Eu, de minha parte, asseguro-lhes, cavalheiros, eu prefiro acompanhar os grandes acontecimentos mundiais, analisar o rumo da história, do que pelejar com ídolos locais, com policiais, com tribunais. Não importa o quanto esses cavalheiros podem se considerar grandes em suas próprias imaginações, eles não são nada, absolutamente nada nas titânicas lutas dos dias de hoje. Considero um verdadeiro sacrifício quando decidimos medir forças com estes oponentes. Mas, de uma vez por todas, é o dever da imprensa tomar a palavra em favor dos oprimidos à sua volta [...]. O primeiro dever da imprensa, portanto, é minar todas as bases do sistema político existente (Marx: 1980, p.70).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Os media e os Muros




Os media e os Muros

Os media são os mais altos e espessos muros que o imperialismo levanta entre o escuro da ignorância e opressão que nos impõe e a luz da inteligência e liberdade que nos sonega.

O Muro media erguido pelo grande capital, é a maior fortaleza de que dispõe para dominar quaisquer ideologias contrárias aos seus interesses, implantando princípios e regras aceites pelos dominados como se suas fossem.

Os muros são impercetíveis para quem docilmente se deixa conduzir pelos múltiplos meios altamente sofisticados pela tecnologia que retém e domina.

O muro é transponível a todos os que prezam a Liberdade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Contra a corrente



As causas da guerra
 (in, "Le Courrier")

A histeria provocada pelos supostos ataques informáticos russos atingiu proporções alucinantes nos Estados-Unidos. Como explicar que a primeira potência mundial, dotada de um orçamento militar dez vezes superior à do seu rival, e que, sozinho ultrapasse todas as outras potências, seja sensível à “ameaça” putiniana ao ponto de colocar o país à beira de uma ataque de nervos institucional, e aumentar ainda mais o caos mundial? Há uma causa interna, bem entendido, que põe inesperadamente em cheque a coligação Obama-Mc Cain que se julgava segura de conservar o poder com Hillary Clinton. Depois da segunda presidência de Bill Clinton, forjou-se nos Estados-Unidos uma aliança de facto, entre o establishment democrata por um lado, e os neoconservadores de obediência republicana por outro. O bombardeamento da Sérvia em 1999 selou esse acordo, que nem as aventuras militares calamitosas de Bush Jr, nem os desmentidos elegantes, mas sangrentos, de Obama conseguiram por em causa. Hillary Clinton encarnava a melhor esperança para estes dois campos continuarem o seu business usual, ou seja o prosseguimento de uma hegemonia americana fundada sobre o ‘comércio livre’ sem limites, a abertura das fronteiras e o derrube dos regimes hostis em nome da democracia e dos “valores” ocidentais, o envolvimento dos mediaembedded depois da invasão do Iraque em 2003 – e a mobilização ilimitada de todos os recursos do soft power.
Acontece que a derrota de Hillary veio quebrar este mecanismo bem oleado. Com Trump tornou-se impossível continuar a conivência estabelecida, não obstante as conferências chorudamente pagas pela Wall Street, a venda de armas e de bombas aos aliados subalternos, - França, Arábia-Saudita ou Turquia - com o encargo de as lançar sobre a Líbia, a Síria, o Mali ou o Iémen e ainda a implantação de multinacionais 2.0 e 4.0 pelos quatro cantos do universo. Congregando sob a sua poupa todos os deserdados da mundialização foi de imediato catalogado com a infamante etiqueta de “populismo”, Trump quer ao contrário quebrar o comércio-livre e travar as operações da baixa política de “polícia” mundial. Semeando o pânico no campo dos que aproveitando o sistema com a bendição do espirituoso Obama e a encantadora Michelle. Mas esta histeria também tem uma causa externa tendo em conta as novas posições para com os europeus e as Américas, potências que não partilham esta visão do mundo. A reação terrorista é um exemplo, ela que provém de uma região e de uma religião que se sente humilhada por um século de ingerências desastrosas. A reação chinesa, russa, indiana a que se veio juntar as Filipinas, precedentemente pelas da América Latina, que com manobras mais ou menos legais tendem manter a ordem, como foi o caso na Argentina, no Uruguai, no Brasil ou na Venezuela, entre outros.
Todos estes países há pouco silenciosos e ausentes da sena mediática mundial, reivindicam o seu lugar ao sol. Os seus media, contrariamente aos nossos, encontram-se em pleno desenvolvimento. TV, rádio, jornais e media numérico estão em constante progressão e dão lucro. Abrem escritórios de correspondentes em todo o mundo e lançam canais de info em cadeia, não aceitando servir de relay à vulgata mundial da CNN ou BBC, querendo pelo contrário compartilhar a sua própria visão do mundo, intolerável para os dirigentes políticos e os caciques dos nossos grandes media, habituados a que se beba o seu palavreado sem gaguejar.
Pior, esses media são contestados no seu próprio terreno pelos seus leitores e auditores, que perderam toda a confiança, depois que tomaram posições contrárias à sua própria deontologia e falhando calamitosamente quanto ao Brexit, Trump, Fillon e na capacidade do povo sírio de resistir ao terrorismo islâmico.
O storytelling do bom democrata respeitoso dos direitos do homem e comprometido com a liberdade de expressão, não aceita os que saem dos círculos estreitos do poder europeu e norte-americano. O New York Times, o Washington Post, a BBC, Le Monde e seus associados já não marcam o passo. Ter de se inclinar face aos sucessos de audiência da Rússia Today, é a vergonha suprema, a afronta final, e que o Parlamento Europeu quis lavar adotando uma resolução que restabelecia a censura na Europa!
Para o establishment de Washington, habituado a dominar o planeta desde há vinte anos, compreende-se que a pírula seja amarga.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

TELEVISÃO


Campo de batalha

Ainda que não se dê conta disso, o utente (ou consumidor, ou frequentador) dos chamados media está todos os dias no centro de uma espécie de campo de batalha em que ele próprio é o objectivo a tomar de assalto, a ocupar. Isto será verdade relativamente a qualquer meio de comunicação social, sendo contudo que para estas colunas importa sobretudo a televisão que, aliás, mesmo perante o enorme relevo que as redes sociais adquiriram nos anos mais recentes, parece continuar a ser o factor que mais generalizadamente condiciona os convencimentos dos cidadãos e, por consequência, o seu posicionamento cívico, as suas acções e também as suas inacções. Não é grande novidade que seja assim: pelo menos desde Goebbels e a proclamada eficácia da «mentira mil vezes repetida» que a ocupação das cabeças das gentes é reconhecida como um fundamental objectivo político, que a impostura passou a valer como verdade, isto para não recuarmos mais no tempo e na História. De onde a artilharia específica deste combate sem estrondos mas sempre caracterizado por muita dureza e poucos ou nenhuns escrúpulos, sector de primeiríssima importância daquilo a que chamamos, e bem, batalha ideológica. Com uma fundamental característica: a de que um dos lados do combate dispõe de meios financeiros, tecnológicos e logísticos praticamente inesgotáveis, enquanto o outro apenas dispõe de convicções firmes e de enorme empenhamento.
A alegria final
Dito isto, não surpreenderá que se peça a atenção dos cidadãos para alguns cuidados a ter para evitarem a intoxicação pela absorção dos venenos informativos que todos os dias nos rondam, que são introduzidos em nossas casas e, no caso da televisão, tentam entrar em cada um de nós pelos olhos e ouvidos que estejam mais disponíveis. E é bem caso para dizer que todos os cuidados são poucos, como aliás se compreenderá quando nos lembrarmos de que os semeadores de toxinas são profissionais especialistas, peritos no manejo das suas específicas minas e armadilhas, ao passo que os cidadãos-alvos são criaturas desprevenidas e tendencialmente crédulas perante o que a televisão ou a rádio disseram e porventura a generalidade dos jornais terá repetido ou glosado. Neste quadro, convém mobilizar algumas formas de precaução que possam constituir linhas protectoras: é uma espécie de autodefesa sob a forma de interrogatório. Chegada até nós a informação ou o que com informação se pareça, perguntemos de onde vem ela, quem ganhará alguma coisa se ela for generalizadamente bem acolhida, qual é o alvo que será por ela atingido, identifiquemos qual o objectivo final que estará em causa. Em resumo: «revistemos» a informação para nos apercebermos do que pode ela trazer nas suas algibeiras, sobretudo nas mais interiores, nas que estão menos à vista. Há muitos casos de impostura óbvia, seja pelo próprio tipo de informação ou seja por conhecida falta de credibilidade de quem a disparou, mas é preciso não esquecer de que em política, e portanto também na batalha ideológica, nem sempre «o que parece é», como muitas vezes é repetido e o «sempre saudoso» doutor Salazar uma vez terá lembrado. Assim, ocorre por vezes que informações que parecem incluir-se num pensamento muito democrático são, afinal, parte integrante de grandes manobras de sentido contrário, ou que aparentes movimentos de opinião transnacional são de facto efeitos de campanhas intoxicantes sem princípios mas com fins. Poder-se-á dizer que é difícil viver assim, num mundo em que a produção de inverdades é permanente e obedece a estratégias traçadas por especialistas e do outro lado, débil, está o cidadão em princípio isolado. Por isso é tão importante que o cidadão não esteja isolado. Que, com ajuda ou sem ela, perceba quais são os dois grandes campos que estão em confronto permanente. Que, depois disso, reflicta. E depois de reflectir saboreie a alegria final de, mais uma vez, não ter sido enganado.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Os media: fábrica de boatos por Carlos Santa María



Os media: fábrica de boatos por Carlos Santa María

Numa serie de grande audiência para o público estadunidense, The Black List (A lista negra), Raymond Reddington, a personagem central, esclarece como influenciar a sociedade através da informação calculada, denominada “a fábrica de boatos”.

Numa das cenas contacta-se com uma casa especializada de carácter secreto e capaz de produzir notícias falsas para orientar a audiência e obter o que se deseja, recorrendo a múltiplas técnicas, construir situações inexistente, informações manipuladas, dados fingidos e mensagens em rede.

Reddington explica que a dita agência aproveita a ansiedade do público, especialmente quando está condicionado pelo medo, para provocar estados de pânico, adormecer e mudar expectativas, recorrendo às redes sociais de forma massiva e estabelecendo campanhas de desinformação altamente coordenadas. 

O seu fim específico é desenvolver a arte da desinformação para criar eventos artificiais como se fossem reais. Com essa finalidade, recorrem a milhares de histórias falsas, criam-se ataques para desviar a atenção de algo fundamental que se está passando, provocando respostas condicionadas. (ler mais aqui)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Revolução da Comunicação - Fernando Buen Abad


Revolução da Comunicação
Dr. Fernando Buen Abad Domínguez

Nicolas Maduro dá Voz a um Clamor Mundial
 “Caminhemos para a Revolução Comunicacional em Mídias,
Finalmente há um estadista que põe a “Comunicação” na sua agenda de prioridades com uma chave revolucionária, isto é, com a premissa de que são urgentes mudanças profundas e imediatas com extensão planetária e resposta histórica contundente. Talvez como o sonhou o Movimento dos não Alinhados em 1973 ou como o via o “Relatório MacBride” em 1980. “Um só mundo, vozes múltiplas”.
Ocupar as paredes, as redes, as ruas e os mídia. Nos bairros, nas escolas, nas fábricas... tornar visível o sentimento e o pensamento dos povos. Assumir a vanguarda da semântica, da sintaxe e da “Batalha das Ideias” revolucionárias. Renovar as técnicas, renovar a imaginação, renovar a poesia da luta: mas unidos, convertidos em força global, convertidos em factor decisivo e organizador para que nunca mais sejamos silenciados perante as acometidas (impúdicas e impunes) do avassalamento monopólico mundial. Como podemos ficar do lado de fora?
Não se trata de uma ocorrência de conjuntura. Sofremos episódios sistemáticos de abuso delinquencial contra a vontade democrática do povo venezuelano, por exemplo, desde que a sua revolução deu início a transformações decisivas e exemplares. Cometeram-se atropelos e agressões escandalosos que não mereceram denúncia nem castigo das organizações internacionais que se auto-proclamam defensoras da “liberdade de expressão” ou da “independência dos meios de comunicação”. Silêncio absoluto da UNESCO, do SIP, da OEA... silêncio da FELAFACS, da INVECOM... em suma, silêncio dos organismos e associações de profissionais que deveriam ter resposta rápida contra todas as formas de golpismo mediático. Nem uma palavra sobre o grotesco diário espanhol “El País” que, por exemplo, publicou a fotografia de uma pessoa num bloco operatório e a promoveu (com conhecimento da sua falsidade) como a imagem de Hugo Chávez. Há exemplos terríveis desta envergadura. E nada se passa.
Maduro estendeu a convocatória revolucionária ao mundo inteiro. Ele sabe muito bem que os abusos mediáticos não se reduzem a um único país e que enquanto se fortalece a aliança mediático-militar (a NATO mediática) os povos são silenciados e as democracias correm perigo. Há que ver como, por decisão arbitrária e pessoal de um presidente, se apaga de um golpe de caneta uma “Lei de Imprensa”, como aconteceu na Argentina. Há que ver como avança o poderio tecnológico baseado numa assimetria grotesca nas condições e oportunidades para que os povos acedam a uma tecnologia sustent-el﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽idades para que os povos acedam a uma tecnologia sustent de Hugo Chhavez.sejamois silenciados-el﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽idades para que os povos acedam a uma tecnologia sustent de Hugo Chhavez.sejamois silenciadosável sem a extorsão da caducidade programada pelo mercado.
Maduro entendeu a necessidade de uma Revolução da Comunicação que abarque o ensino, que torne visíveis – e ensine – as lutas históricas dos povos e a sua herança simbólica poderosa e vivificante. Ele entendeu a urgência de renovar as agendas e de as potenciar a partir do que pensam e sentem os povos e não dos interesses dos publicistas, dos comerciantes ou dos governantes serventuários do modelo de mercantilização desaforada. Maduro pôs o dedo numa ferida dolorosa e profunda que expressa um erro e uma das debilidades mais sofridas pelos nossos povos. Indicou um rumo e uma modalidade de trabalho que, no seu carácter contemporâneo, recolhe as heranças de gerações e as põe a reflorir quando muitos julgavam que o silêncio e a resignação nos derrotariam para sempre.
É verdade que não basta uma convocatória por mais sentida que ela seja. Exige-se agora um programa com princípios humanistas revolucionários capazes de modelar acções e metas para o curto, o médio e o longo prazo. É preciso haver coordenação e unidade imediata. Impõe-se a formação de uma Frente Única Internacional capaz de superar sectarismos e pessimismo. É necessário trabalho político imaginativo e confiável, percorrendo portas e ouvidos para articular e salvaguardar as mais diversas identidades num esforço de unidade do diverso que nos permita trabalhar juntos nas coincidências, sem que as divergências nos imobilizem. Uma revolução dentro da revolução.
Não há tempo a perder. Os impérios mediáticos re-acomodam-se diariamente, aliam-se, compram-se entre si, expandem-se... E não poucos operam como armas de guerra ideológica mercantilista e inumana. A Revolução da Comunicação que Maduro convoca enfrenta o desafio de aprofundar a crítica do modelo mediático dominante e assume a tarefa de impulsionar o nascimento da “Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação” do século XXI. Isso exige povos em luta com semiologia, epistemologia e tecnologia emancipadoras. Isso requer “moral e luzes” revolucionárias onde não se admitam reconciliações nem reformismo. Onde não se admitam burocracias nem demoras. Uma etapa nova da Pátria Digital Emancipada, da Revolução do Espírito e a Revolução que aguardam a sua oportunidade para se concatenarem numa só Revolução mundial e a partir de baixo.
É claro que a única maneira de evitar que uma tal convocatória não seja mais do que isso e se torne realidade concreta, é agir de imediato e massivamente. Não há tempo para regateios nem para especulações. Jogos de sedução para se fazer desejado implicam irresponsabilidade suprema filha de uma egolatria perversa que já nos custou derrotas e humilhações ferozes. Estamos fartos dessas manias de esquerdismo infantil. Esta convocatória de Maduro deve amadurecer liberta de uma prédica messiânica com o “culto da personalidade” que foi vício de medíocres. Há-de amadurecer na refrega da luta de classes, na construção social que, desde as bases, dêem sustento e coerência revolucionária a todos os episódios e às tarefas que urgem no imediato e no mediato. Não podemos esperar nem mais um minuto.
Demos as boas-vindas activas a tal chamada, à sua hierarquia e ao seu valor político sem retroceder um único passo nas conquistas ganhas, até este momento, por todos os que lutam honradamente e minuto a minuto para pôr as ferramentas e os conhecimentos em matéria de Informação e Comunicação ao serviço das tarefas supremas  desta hora: travar as guerras, salvar o planeta e salvar a humanidade num mundo sem amos, sem escravos, sem classes sociais e com vozes múltiplas dignas que falem de futuro e felicidade para todos. Nada menos. Aprovado.