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sábado, 8 de abril de 2017

JORNALISMO DEGRADADO E DEGRADANTE

Houve um tempo em que a distinção entre factos e opiniões era uma prática bem estabelecida no jornalismo, assim como a distinção entre a mentira e a verdade. Hoje isso não é mais assim e os próprios jornalistas que trabalham nos media corporativos são, em grande medida, responsáveis por esta degradação. Consciente ou inconscientemente, a maior parte destes profissionais perdeu qualquer capacidade de análise ou de juízo crítico. Aceitam como verdadeiras as mentiras mais inverosímeis.
 
Basta ver, por exemplo, o semanário Expresso de 08/Abril/2017. Nunca, em momento alguns, os vários jornalistas que ali escreveram sobre a agressão à Síria puseram em causa a versão dos EUA de que o governo Assad teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Os leitores desse semanário nem sequer tiveram o direito do contraditório, princípio básico do jornalismo. A mentira passa assim por verdade pura e cristalina.
Nenhum destes escrevinhadores que se intitulam jornalistas aprendeu com a História. O cinismo ou a ignorância imperam entre eles. As mentiras sucessivas do governo dos EUA para lançar guerras são pura e simplesmente ignoradas. A mentira do incidente do Golfo de Tonquim, tramada pelos EUA para lançar a guerra do Vietname, não existe para esta gente do Expresso, dos comentaristas da TV ou das folhas de papel corporativas. A mentira de Collin Powell na ONU e das suas "provas" de armas de destruição em massa no Iraque tão pouco. Assim como a mentira da explosão do navio que serviu para os EUA intervirem militarmente em Cuba, no princípio do século XX. Exemplos destes poderiam suceder-se numa longa série.
 
Verifica-se assim que Goebbels tem émulos à altura nos mediam portugueses. Como diz John Pilger, tais jornalistas têm uma pesadíssima responsabilidade pelas mortes de milhões de pessoas pois preparam o clima para as guerras de agressão do imperialismo. Eles têm as mãos manchadas de sangue. Crimes monstruosos praticados na Jugoslávia, Iraque, Líbia, Somália, Iémen, Síria e tantos outros lugares são também da responsabilidade dos que escrevem nos media corporativos.
Em “resistir.info”

sexta-feira, 31 de março de 2017

Jornalismo profissão de alto risco para profissionais honestos


 No México o jornalismo sangra

Com mais de 123 jornalistas assassinados nos últimos anos, o país azteca transformou-se num dos mais perigosos do mundo para exercer a profissão. Em 25 de março a correspondente de a ‘La Jornada’ Microslava Breach, foi assassinada em Chiguaga. Poucos dias depois, o chefe de redação do semanário ‘La Opinión’ Armando Arrieta Granados, ficou gravemente ferido depois de ser baleado. Só nestes primeiros três meses de 2017, foram assassinados três jornalistas.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Debates sobre a liberdade de imprensa e comunicação


Debates sobre a liberdade de imprensa e comunicação

Eu, de minha parte, asseguro-lhes, cavalheiros, eu prefiro acompanhar os grandes acontecimentos mundiais, analisar o rumo da história, do que pelejar com ídolos locais, com policiais, com tribunais. Não importa o quanto esses cavalheiros podem se considerar grandes em suas próprias imaginações, eles não são nada, absolutamente nada nas titânicas lutas dos dias de hoje. Considero um verdadeiro sacrifício quando decidimos medir forças com estes oponentes. Mas, de uma vez por todas, é o dever da imprensa tomar a palavra em favor dos oprimidos à sua volta [...]. O primeiro dever da imprensa, portanto, é minar todas as bases do sistema político existente (Marx: 1980, p.70).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Os media e os Muros




Os media e os Muros

Os media são os mais altos e espessos muros que o imperialismo levanta entre o escuro da ignorância e opressão que nos impõe e a luz da inteligência e liberdade que nos sonega.

O Muro media erguido pelo grande capital, é a maior fortaleza de que dispõe para dominar quaisquer ideologias contrárias aos seus interesses, implantando princípios e regras aceites pelos dominados como se suas fossem.

Os muros são impercetíveis para quem docilmente se deixa conduzir pelos múltiplos meios altamente sofisticados pela tecnologia que retém e domina.

O muro é transponível a todos os que prezam a Liberdade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Contra a corrente



As causas da guerra
 (in, "Le Courrier")

A histeria provocada pelos supostos ataques informáticos russos atingiu proporções alucinantes nos Estados-Unidos. Como explicar que a primeira potência mundial, dotada de um orçamento militar dez vezes superior à do seu rival, e que, sozinho ultrapasse todas as outras potências, seja sensível à “ameaça” putiniana ao ponto de colocar o país à beira de uma ataque de nervos institucional, e aumentar ainda mais o caos mundial? Há uma causa interna, bem entendido, que põe inesperadamente em cheque a coligação Obama-Mc Cain que se julgava segura de conservar o poder com Hillary Clinton. Depois da segunda presidência de Bill Clinton, forjou-se nos Estados-Unidos uma aliança de facto, entre o establishment democrata por um lado, e os neoconservadores de obediência republicana por outro. O bombardeamento da Sérvia em 1999 selou esse acordo, que nem as aventuras militares calamitosas de Bush Jr, nem os desmentidos elegantes, mas sangrentos, de Obama conseguiram por em causa. Hillary Clinton encarnava a melhor esperança para estes dois campos continuarem o seu business usual, ou seja o prosseguimento de uma hegemonia americana fundada sobre o ‘comércio livre’ sem limites, a abertura das fronteiras e o derrube dos regimes hostis em nome da democracia e dos “valores” ocidentais, o envolvimento dos mediaembedded depois da invasão do Iraque em 2003 – e a mobilização ilimitada de todos os recursos do soft power.
Acontece que a derrota de Hillary veio quebrar este mecanismo bem oleado. Com Trump tornou-se impossível continuar a conivência estabelecida, não obstante as conferências chorudamente pagas pela Wall Street, a venda de armas e de bombas aos aliados subalternos, - França, Arábia-Saudita ou Turquia - com o encargo de as lançar sobre a Líbia, a Síria, o Mali ou o Iémen e ainda a implantação de multinacionais 2.0 e 4.0 pelos quatro cantos do universo. Congregando sob a sua poupa todos os deserdados da mundialização foi de imediato catalogado com a infamante etiqueta de “populismo”, Trump quer ao contrário quebrar o comércio-livre e travar as operações da baixa política de “polícia” mundial. Semeando o pânico no campo dos que aproveitando o sistema com a bendição do espirituoso Obama e a encantadora Michelle. Mas esta histeria também tem uma causa externa tendo em conta as novas posições para com os europeus e as Américas, potências que não partilham esta visão do mundo. A reação terrorista é um exemplo, ela que provém de uma região e de uma religião que se sente humilhada por um século de ingerências desastrosas. A reação chinesa, russa, indiana a que se veio juntar as Filipinas, precedentemente pelas da América Latina, que com manobras mais ou menos legais tendem manter a ordem, como foi o caso na Argentina, no Uruguai, no Brasil ou na Venezuela, entre outros.
Todos estes países há pouco silenciosos e ausentes da sena mediática mundial, reivindicam o seu lugar ao sol. Os seus media, contrariamente aos nossos, encontram-se em pleno desenvolvimento. TV, rádio, jornais e media numérico estão em constante progressão e dão lucro. Abrem escritórios de correspondentes em todo o mundo e lançam canais de info em cadeia, não aceitando servir de relay à vulgata mundial da CNN ou BBC, querendo pelo contrário compartilhar a sua própria visão do mundo, intolerável para os dirigentes políticos e os caciques dos nossos grandes media, habituados a que se beba o seu palavreado sem gaguejar.
Pior, esses media são contestados no seu próprio terreno pelos seus leitores e auditores, que perderam toda a confiança, depois que tomaram posições contrárias à sua própria deontologia e falhando calamitosamente quanto ao Brexit, Trump, Fillon e na capacidade do povo sírio de resistir ao terrorismo islâmico.
O storytelling do bom democrata respeitoso dos direitos do homem e comprometido com a liberdade de expressão, não aceita os que saem dos círculos estreitos do poder europeu e norte-americano. O New York Times, o Washington Post, a BBC, Le Monde e seus associados já não marcam o passo. Ter de se inclinar face aos sucessos de audiência da Rússia Today, é a vergonha suprema, a afronta final, e que o Parlamento Europeu quis lavar adotando uma resolução que restabelecia a censura na Europa!
Para o establishment de Washington, habituado a dominar o planeta desde há vinte anos, compreende-se que a pírula seja amarga.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

TELEVISÃO


Campo de batalha

Ainda que não se dê conta disso, o utente (ou consumidor, ou frequentador) dos chamados media está todos os dias no centro de uma espécie de campo de batalha em que ele próprio é o objectivo a tomar de assalto, a ocupar. Isto será verdade relativamente a qualquer meio de comunicação social, sendo contudo que para estas colunas importa sobretudo a televisão que, aliás, mesmo perante o enorme relevo que as redes sociais adquiriram nos anos mais recentes, parece continuar a ser o factor que mais generalizadamente condiciona os convencimentos dos cidadãos e, por consequência, o seu posicionamento cívico, as suas acções e também as suas inacções. Não é grande novidade que seja assim: pelo menos desde Goebbels e a proclamada eficácia da «mentira mil vezes repetida» que a ocupação das cabeças das gentes é reconhecida como um fundamental objectivo político, que a impostura passou a valer como verdade, isto para não recuarmos mais no tempo e na História. De onde a artilharia específica deste combate sem estrondos mas sempre caracterizado por muita dureza e poucos ou nenhuns escrúpulos, sector de primeiríssima importância daquilo a que chamamos, e bem, batalha ideológica. Com uma fundamental característica: a de que um dos lados do combate dispõe de meios financeiros, tecnológicos e logísticos praticamente inesgotáveis, enquanto o outro apenas dispõe de convicções firmes e de enorme empenhamento.
A alegria final
Dito isto, não surpreenderá que se peça a atenção dos cidadãos para alguns cuidados a ter para evitarem a intoxicação pela absorção dos venenos informativos que todos os dias nos rondam, que são introduzidos em nossas casas e, no caso da televisão, tentam entrar em cada um de nós pelos olhos e ouvidos que estejam mais disponíveis. E é bem caso para dizer que todos os cuidados são poucos, como aliás se compreenderá quando nos lembrarmos de que os semeadores de toxinas são profissionais especialistas, peritos no manejo das suas específicas minas e armadilhas, ao passo que os cidadãos-alvos são criaturas desprevenidas e tendencialmente crédulas perante o que a televisão ou a rádio disseram e porventura a generalidade dos jornais terá repetido ou glosado. Neste quadro, convém mobilizar algumas formas de precaução que possam constituir linhas protectoras: é uma espécie de autodefesa sob a forma de interrogatório. Chegada até nós a informação ou o que com informação se pareça, perguntemos de onde vem ela, quem ganhará alguma coisa se ela for generalizadamente bem acolhida, qual é o alvo que será por ela atingido, identifiquemos qual o objectivo final que estará em causa. Em resumo: «revistemos» a informação para nos apercebermos do que pode ela trazer nas suas algibeiras, sobretudo nas mais interiores, nas que estão menos à vista. Há muitos casos de impostura óbvia, seja pelo próprio tipo de informação ou seja por conhecida falta de credibilidade de quem a disparou, mas é preciso não esquecer de que em política, e portanto também na batalha ideológica, nem sempre «o que parece é», como muitas vezes é repetido e o «sempre saudoso» doutor Salazar uma vez terá lembrado. Assim, ocorre por vezes que informações que parecem incluir-se num pensamento muito democrático são, afinal, parte integrante de grandes manobras de sentido contrário, ou que aparentes movimentos de opinião transnacional são de facto efeitos de campanhas intoxicantes sem princípios mas com fins. Poder-se-á dizer que é difícil viver assim, num mundo em que a produção de inverdades é permanente e obedece a estratégias traçadas por especialistas e do outro lado, débil, está o cidadão em princípio isolado. Por isso é tão importante que o cidadão não esteja isolado. Que, com ajuda ou sem ela, perceba quais são os dois grandes campos que estão em confronto permanente. Que, depois disso, reflicta. E depois de reflectir saboreie a alegria final de, mais uma vez, não ter sido enganado.